29.2.16

Diga NÃO aos programas de moda da TV

Sabe aqueles programas sobre moda que costumam passar na TV, principalmente em canais como Discovery H&H, GNT, TLC e agora também na TV aberta? Pois é, é sobre eles que quero falar.

São programas de moda que tem por finalidade modificar o visual de uma pessoa.
Algumas vezes, as pessoas são indicadas para participar por parentes e amigos ou se inscrevem por conta própria.

A grande questão é que muitas pessoas que aparecem nesses programas são pessoas com estilo alternativo e que fazem parte de uma sub-cultura. Seja uma pin-up, uma gótica ou uma steampunk, elas são completamente depreciadas no show simplesmente porque as pessoas na rua as acham esquisitas.

Ou seja, a pessoa é obrigada a deixar seu estilo particular de lado para se parecer mais "normal", além de ser depreciada pelo apresentador que faz caretas horríveis quando elas mostram as peças de roupas que costumam usar.




Eu digo isso pois não acredito que a cor de um cabelo ou de uma roupa possa definir o caráter de uma pessoa, nem sempre as mais "adequadas" são as melhores pessoas. Mas, infelizmente, o preconceito está aí para quem quer julgar o outro pela primeira impressão.

Por exemplo, um dos programas do canal TLC, conhecido como "Love, Lust or Run", apresentado por Stacy London, mostrou uma pin-up que tinha dificuldades em aceitar o corpo e os quilos que tinha ganhado com o passar dos anos. 
No programa, ela alega que era magra em sua juventude e que depois que ganhou peso passou a não aceitar o próprio corpo. Com isso, resolveu adotar o estilo pin-up para "disfarçar" o corpo e chamar a atenção para o estilo mais ousado.



Sinceramente, não faz o menor sentido.

Não vejo sentido algum em alguém resolver adotar o estilo de uma pin-up moderna para disfarçar o corpo. Sério. Nos Estados Unidos existe uma cultura muito forte que é ligada à música rockabilly e suas vertentes, e não apenas uma modinha passageira como em outros lugares. Com certeza ela seria ridicularizada por outras pessoas do meio.

Portanto, nem sempre as histórias que as pessoas contam nestes programas são verdade.

Mas independente disso, ela foi considerada "inadequada" para os padrões da moda de Stacy London.

Então, passaram a desmontar todo seu visual e a vestir de uma forma que parecesse mais moderna, atual e se encaixasse melhor no padrão de moda "plus size" que é permitido usar por aí. 

O resultado final foi esse:


Ela pode até ter ganhado uma silhueta mais enxuta, mas não vejo nenhuma referência retrô neste último visual.

Daí eu pergunto, em que momento a personalidade, os gostos e preferências da pessoa foi levada em consideração?  

Nenhum.

Até porque a maioria das roupas escolhidas para a pessoa se sentir "adequada" fazem parte de merchandising puro e simples. Muitas lojas fecham parcerias com esses programas e cedem as roupas em troca de divulgação.

Em nenhum momento é enfatizado que o estilo pessoal deve ser levado em conta. Em nenhum momento perguntaram à participante quais cores ela gosta de usar, como é seu dia a dia, se prefere salto, tênis ou sapatilha, qual o gosto musical, e por aí vai.. 

Este pensamento retrógrado de que temos que seguir as regras impostas pela moda é enfatizado neste tipo de programa e gera ainda mais preconceito contra aquelas pessoas que tem gostos diferentes.

...

A moda deveria ser utilizada para enfatizar pontos positivos das pessoas dentro daquilo que elas gostam de usar

Exemplo, existe uma regra de moda que diz que gordas não devem usar listras horizontais, pois alargam a silhueta. E se você for estudar design vai descobrir que listas horizontais realmente dão a ilusão de aumentar superfícies. MAS isso não significa que a pessoa gorda não possa utilizar listras!!

Caramba, essas regras de moda só servem para excluir pessoas..

Isso sem contar que a maioria dos participantes destes programas são pessoas ligadas à culturas muito pequenas, que tem uma forma de se vestir muito diferente do "convencional", reforçando então, a ideia errada de que elas são más pessoas.

Não quero dizer que o visual não possa ser melhorado e aprimorado. Mas que deveria ser feito dentro do contexto de como a pessoa se sente bem em se vestir.

E isso com certeza esses programas não fazem.

Se você tem um estilo característico e não quer abrir mão por conta do julgamento de outras pessoas, ao invés de programas lixo como este, procure por pessoas reais e blogs na internet que levantam a bandeira do seu estilo. 

Seja, magra, fitness, gorda, gótica, rockabilly, lolita, street, não importa.. o seu estilo é mais importante que toda essa cag*ção de regra por aí.

Seja mais você.

11 comentários:

  1. Que post maravilhoso!!! Acho tão terrível essa atitude que as pessoas tem de inscrever os amigos nesses lixos de programas, as pessoas são humilhadas na frente de todo mundo, são obrigados a jogar peças com valor sentimental fora, e no fim, ter a identidade massacrada pra virar só mais um na multidão </3

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  2. Nossa Aline quantas vezes me peguei pensando a mesma coisa que você. Esses programas arrancam a personalidade das pessoas e as moldam de um jeito ''mais aceitável pela sociedade''. Já parei de assistir faz um bom tempo!

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  3. Eu assisti a esse episódio e fiquei muito contrariada, mudaram totalmente o estilo dela. Adorei o post,por isso que sempre procuro minhas referencias em blogs.
    Adoreiiii
    bjuxx
    Casa Cherry

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  4. Guria,amei oque escreveu! Sou formada em moda e um dos fatores que me faz deixar de lado um emprego na área é essa ideia de que a maioria tem de que se você não se encaixa nos padrões e não segue a regra tu está errado. Faz anos que meu estilo é retro,e isso faz parte em tudo ta minha vida porque é oque me traduz,todos tem que se vestir como quiserem e do jeito que preferirem!

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  5. Guria,amei oque escreveu! Sou formada em moda e um dos fatores que me faz deixar de lado um emprego na área é essa ideia de que a maioria tem de que se você não se encaixa nos padrões e não segue a regra tu está errado. Faz anos que meu estilo é retro,e isso faz parte em tudo ta minha vida porque é oque me traduz,todos tem que se vestir como quiserem e do jeito que preferirem!

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  6. Concordo em gênero, número e grau.

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  7. Sempre com ótimos temas Aline. Bem observado o seu ponto de vista.

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  8. Há muito tempo que não compro nada em lojas. Tudo igual. Sempre mais do mesmo, tudo padronizado. E eu fico feliz qdo alguém encontra algo e diz que lembrou de mim ou "achou a minha cara". Sinal de que o que eu visto é muito mais que uma roupa, é personalidade. Excelente análise!

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  9. gostei muito do artigo! realmente faz-nos pensar de uma maneira diferente, de que o nosso normal não tem de ser o normal de toda a gente!

    Moi—byInês

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  10. CONCORDO 100%. Afinal, gosto é gosto. Por exemplo, aquele Arlindo Ground q se diz o entendedor de moda e dá conselhos, sempre esta com roupas q NA MINHA OPINIÃO são de péssimo gosto e sempre igual: camisa social abotoada até o gogó, calça dobrada pula brejo. Blazer. Pro meu gosto é feio, mas considero direito dele usar. E ngm deve cagar regra. Adorei seu post. Esses programas não representam mais o nosso tempo, agora é hora de liberdade total.
    Bjs
    Renata

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  11. eu acho até valido quando a pessoa não tem estilo, tem gente que simplesmente não tem estilo, está desmotivado por algum motivo, só veste roupas de "fica em casa" , mas mesmo nestes caso o programa tem que dar houvidos ao gosto da pessoa, e tentar descobrir qual o estilo dela. e não enfiar goela abaixo qualquer roupa.

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