20.11.15

Poodle Skirt: uma história divertida por trás de um ícone dos anos 50

Um dos grandes símbolos da moda jovem da década de 50 é conhecido como Poodle Skirt (algo como saia de poodles). É poodle mesmo, aquele cachorrinho. 

A ideia é um tanto estranha, mas tenho certeza de que se você ver uma foto, vai saber do que estou falando:



Lembrou? Sabia!

Poxa, é só procurar por uma fantasia para uma festa à fantasia dos anos 50 que o look com a saia e um lencinho no pescoço combinando será uma das mais cotadas.

A questão é: a história da saia é muito bacana e precisa ser contada!

Tudo começou no final dos anos 40, quando Juli Lynne Charlot era uma garota que adorava cantar e começou a se apresentar junto com orquestras e outras performances da época.
Como estava habituada ao palco, sua preocupação com o figurino era constante e suas ideias eram muito criativas. 
Porém, Juli Lynne não sabia nada sobre costura e para por suas ideias em prática ela recorria sempre à costureiras.

(Linda e baphônica!)

Já nos anos 50, com então 20 e poucos anos, Juli Lynne largou os palcos e se casou, passando a viver como uma tradicional dona de casa.

Certa vez, com as festas de final de ano chegando e uma situação financeira apertada, pois seu marido acabara de perder o emprego,  Juli resolveu improvisar uma roupa nova para o Natal.

But wait! Juli Lynne não tinha dinheiro e nem sabia costurar!! E daí né..

Daí que ela teve uma ideia.. aproveitou que sua mãe trabalhava numa fábrica que utilizava grandes rolos de feltro e pegou o suficiente para criar uma saia que não precisasse de nenhuma costura.

Pois é, ela pegou uma grande quantidade de feltro, cortou um grande círculo e fez um buraco no meio com as medidas da sua cintura. Não satisfeita, ela fez apliques com tema de natal e os costurou à mão. 

(saia vendida através do e-bay como sendo original de Juli Lynne)


E não é que a saia foi um grande sucesso por onde ela passava?!

Então, ela fez algumas com motivos natalinos e levou-as para uma boutique em Beverly Hills. As saias foram rapidamente vendidas.

Depois dos feriados de final de ano, a mesma boutique solicitou que ela fizesse saias com outros desenhos. 
Então, ela criou uma saia com apliques de dachshunds (aquele cachorrinho comprido que chamamos de 'salsicha').
E a saia contava uma história.. eram 3 cachorros, duas fêmeas e um macho. A primeira fêmea era toda sedutora e estava de olho no cachorro macho, a segunda não estava nem aí pra nada e o macho, por sua vez, estava de olho na cadelinha sedutora. Suas coleiras se entrelaçavam e conforme a saia virava, o macho conseguia alcançar apenas a cadelinha que não queria saber dele. Ô dó!!..

A loja adorou a criatividade das saias e solicitou que ela fizesse, então, com cachorros poodles, que estavam em alta na época. Pronto, um ícone da moda dos anos 50 estava lançado: a poodle skirt.



 Apesar do nome, a poodle skirt passou a ter outros desenhos e combinações. As mulheres passaram a usar anáguas por baixo, para aumentar o volume, e Juli Lynne passou a criar outros itens de moda, como blusas, boleros e o tradicional lencinho da cor da saia. E passou a variar os tecidos.

(as saias passaram a ter todo tipo de estampas e desenhos)

As saias passaram a ser feitas em larga escala por muitas costureiras numa fábrica em que Juli foi contratada e ela resolveu que estava na hora de aprender a costurar de verdade. Se matriculou em uma escola especializada mas não tinha tempo para frequentar as aulas. Assim, resolveu aprender direto com as costureiras em seu horário de trabalho.
(saia original ainda feita em feltro)


Juli Lynne não se importava somente com as vendas da saia em si, ela queria que os modelos servissem para contar uma história e para que mulheres iniciassem conversas entre si, mesmo sem se conhecer. Os desenhos das saias seriam ótimos para puxar uma conversa!



Muitas jovens da época adoraram a ideia de estampar desenhos e formas em suas saias rodadas, e assim, a estudantes passaram a consumir os produtos e até mesmo, a customizar suas próprias saias.

Já as mulheres mais maduras e casadas, optavam por desenhos mais sóbrios, cores mais discretas e temas mais tradicionais.

Ainda é possível encontrar saias originais da Juli Lynne Charlot sendo vendidas como raridade no mercado.

Veja abaixo várias criações originais e como as estampas foram se diferenciando com o tempo:

(saia original)

(saia original, porém em foto mais recente)

(saia original, porém em foto mais recente)

(saia original)

(saias originais)

(vestido original)

Depois de algum tempo Juli Lynne se mudou para o México onde continuou a trabalhar com confecções por muitos anos. E lá está até hoje, já fora do ramo das confecções, com seus 93 anos.

(Juli, já mais velha, tira foto com uma das saias em que começou sua carreira)

Durante os anos 80, as poodle skirts foram revividas mais uma vez, porém com um certo exagero típico da década.
As saias foram tratadas mais como fantasias do que como roupas para o dia a dia. 
Quando você visualizar uma imagem como essa (aí embaixo), tenha em mente de que ela é uma releitura exagerada e que não retrata exatamente a poodle skirt original dos anos 50.



De qualquer forma lembre-se: sempre que vestir uma saia rodada, saiba que ela pode contar uma grande história ;)


2 comentários:

  1. Sempre quis saber a história da poodle skirt! Que história legal! Um dia terei uma!

    ResponderExcluir
  2. Adorei Aline !!!!! Quero uma saia dessa urgente.

    ResponderExcluir

Obrigada por comentar! Para falar direto comigo, envie seu e-mail para lacrocodilla@hotmail.com. Beijão!

Veja também:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...