31.8.14

Barbeiros vintagers e a história sinistra dos postes de barbearia

Andando pelo meu quarteirão, descobri um cantinho que estava sendo reformado para abrigar um ponto comercial. Depois de pronto, o local estava todo pintado com listras azuis, vermelhas e brancas na diagonal e percebi que se tratava de uma barbearia vintage.



Esse negócio é tão novo e tão antigo ao mesmo tempo, que merece ser comentado aqui no blog.

Há uma nova onda de barbearias vintage que vem pegando no mercado nacional, apesar de ser muito mais tradicional, nos Estados Unidos e países da Europa. 

Esse novo modelo de negócio exalta a clássica barbearia de antigamente, onde a barba era feita na navalha e os cortes eram bem mais complexos do que os atuais. Além disso, os ambientes remontam à aquela época onde as paredes eram de madeira repletas de quadros, as cadeiras eram enormes feitas em couro e metal cromado, e as navalhas eram expostas pelo ambiente e afiadas em tiras de couro.

O processo de barbear:


Schorem Haarsnijder En Barbier em Rotterdam, Holanda

Nestes ambientes, há um culto total aos bigodes e barbas bem feitos (sim, existem penteados específicos para eles) e também os cabelos moldados. Há quem diga que a barba feita na navalha dura mais e deixa a pele macia. 
Sem contar o ritual que permeia o corte, com bálsamos e toalhas quentes no rosto e um tratamento digno de spa, afinal, o homem também precisa se sentir um pouco cavalheiro de vez em quando.


O barbeiro Bertus com 22 anos de experiência

Segundo uma entrevista (feita pelo site gentlemensavenue.comcom o barbeiro Bertus da barbearia Schorem, em Rotterdam, as toalhas são umedecidas em água quente e aplicadas antes do corte. Além de deixar os fios mais úmidos, ainda fazem com que os poros da pele se abram e deixam o cliente mais relaxado.

Depois da toalha, ele massageia a pela e aplica a espuma de barbear quente com pincel de pelos de texugo.
Todo o processo de barbear ainda segue uma série de passos e regras, de forma com que a barba seja retirada o mais rente possível da pele, sem danificá-la. 

No final, ainda tem mais toalha quente e bálsamos para a pele, e por fim, a toalha fria para fechar os poros e loções pós-barba.

O estilo preservado:


Pascal Go Go Mania

Os barbeiros vintagers também remetem aos antigos trabalhadores com seus ternos e gravatas, mas uma boa dose de modernidade com suas tatuagens espalhadas pelos braços. 

Porém, não se engane, alguns possuem anos e anos de experiência e especializações na área.



Frank Rimmer 

Um barbeiro bem conhecido na área é Frank Rimmer, residente em Londres.

Além de trabalhar em uma barbearia local, ele lançou a Thy Barber, uma barbearia itinerante, que costuma funcionar em eventos como exposições de carros antigos e tatuagem.
Ela ainda coleciona itens de antigas barbearias e todos os acessórios que utiliza são ou possuem uma inspiração vintage, o que significa que se você se sentar para cortar o cabelo com ele, com certeza vai ter uma experiência muito bacana, uma volta aos tempos antigos.


Veja essa pequeno vídeo sobre a Thy Barber e você vai entender do que estou falando:






O poste de barbearia:

Um dos símbolos mais marcantes da barbearia vintage é o poste de barbeiro, aquele com faixas vermelhas e brancas (e às vezes, azuis) girando na frente das lojas.




Mas a história deste poste é um pouco sinistra, na verdade...

O poste de barbeiro atual com listras (que ficam girando) é uma inspiração dos postes que eram utilizados nas barbearias de antigamente.

Desdes os tempos medievais os barbeiros não só cortavam cabelos e barbas como também faziam o serviços de médico e dentistas. Praticavam desde pequenas cirurgias, extrações de dentes e sangrias.

Quando o paciente os procuravam para realizar a sangria, normalmente era pedido à ele que se segurasse firme em um poste, e com isso, o barbeiro-cirurgião realizava os cortes pelo corpo.

O sangue que escorria era depositado em uma vasilha aos pés do paciente.

Para ajudar a limpar, os barbeiros utilizavam bandagens de tecidos brancos, que depois era lavada e ficava pendurada no poste para secar.

Portanto, o poste de barbeiro atual remete aos postes onde as pessoas se seguravam e as listras às bandagens que ficavam enroladas para secar.
A parte cromada na parte de baixo remete às vasilhas para onde o sangue escorria.

Há quem diga também, que as listas brancas remetem às bandagens, as listras vermelhas ao sangue arterial e as listras azuis ao sangue venoso.

Historicamente:

No ano de 1163, o clero da época baniu a prática médica das barbearias, definindo bem o que um barbeiro e o que um médico deveriam praticar.

Algumas décadas depois, a Companhia de Barbeiros e Cirurgiões Unidos, da Inglaterra, definiu que os barbeiros deveriam utilizar o poste com listras brancas e azuis, e os médicos e dentistas, o poste com listras brancas e vermelhas.

Porém, muitos barbeiros dos Estados Unidos continuaram com seus postes de 3 cores, em referência às cores da bandeira americana.

E em 1950, surgiram várias fábricas americanas que começaram a produzir os postes em larga escala, por isso, as peças antigas e restauradas de hoje em dia, provavelmente provém desta década.


William Marvy e sua produção em massa de postes na década de 50


Na decoração:

Toda barbearia vintage precisa ter um poste destes para dar mais charme à sua fachada. Mas, como aqui no Brasil, isso é mais um conceito do que uma parte da história realmente, é bem provável que seja difícil de encontrar este item para comprar. 

Portanto, quem procura por um poste deste para comprar, acaba fazendo artesanalmente ou encomenda de fora.





Por fim, o que importa é que os novos ou antigos barbeiros vintagers estejam mais interessados em cortar sua barba e bigode com a navalha afiadinha, do outras partes do corpo.. 

Experimenta não pagar a conta pra você ver!!

Fui!

Update: Quer saber se existe uma barbearia em sua cidade? A Daise Alves do blog Menteflutuante Retrô fez uma lista de barbearias nacionais, clique aqui pra ver.

8 comentários:

  1. Essas barbearias são muito estilosas, mas que história louca! rsrs
    Nunca imaginaria que aquele poste fofo remetesse à prática tão, ahm, sanguinolenta.

    Beijinho!

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  2. Gente, passada com essa história dos postes de barbearia! Nunca imaginei que pudesse existir uma história tão sinistra por trás de um objeto tão "inofensivo" e fofo!

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  3. É, se não pagar a conta já sabe... hahaha

    blogmylittlecandy.blogspot.com.br/

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  4. Amei o post, super completo!
    Aqui em Campinas não tem nenhuma barbearia vintage, que eu saiba, só tinha visto em SP.

    Beijão

    PS: Indiquei vc lá no meu blogday ♥

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  5. Muito interessante a história por de trás desse símbolo da barbearia. Como sempre um ótimo texto Aline! =) xxx

    http://vintagepri.blogspot.com

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  6. Sempre tive curiosidade sobre a história desses postes, mas nunca imaginei algo assim!!! Ótima postagem, ótimo tema :)

    sexy-and-17.blogspot.com.br

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  7. muito feliz por saber da história dos barbeiros, sou cabeleireiro ,porém me adaptei mais a barbearia,e estou querendo mudar meu salão para barbearia. facebook.com/fabiolouzada

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Obrigada por comentar! Para falar direto comigo, envie seu e-mail para lacrocodilla@hotmail.com. Beijão!

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